sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Amor


“Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. 
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”

— Fernando Pessoa. 



Como meros mortais que somos estamos fadados a sempre venerar o desconhecido e a ter sede pelo que é singular e escasso. A busca pelo verdadeiro amor tende muitas vezes a se transformar em uma corrida sanguinária pelo outro, que na verdade não passa de uma busca por nós mesmos. Talvez seja por isso que tantos se frustam. Não vamos nunca encontrar outro como nós, e o máximo que pode acontecer é deixarmos passar anos e décadas em relacionamentos frustrados para no fim entendermos que o encontro é com nós mesmos e que a felicidade se resume em primeiro nos entendermos para depois nos aceitarmos. A presença de outra pessoa em nossa vida deve ser vista mais como uma forma de podermos compartilhar o que somos com outra pessoa e permitir que esta possa também se aventurar por nossos modos, preferências e gostos.
Desse modo podemos ver o papel do outro m nossas vidas como um complemento e não como algo primordialmente essencial. Amar outra pessoa portanto é o próximo passo a ser dado depois de amarmos a nós mesmos.


Fernando está certo ao dizer que "para viver a dois, antes, é necessário ser um.” Ninguém deve se sustentar em outra pessoa, o risco é muito alto e isso não é amor. É dependência!
Não podemos morrer em nós para vivermos em outro. Não há nada de plausível nisso, muito pelo contrário.
Embora eu esteja escrevendo tudo isso não sou nenhum exemplo a ser seguido, sou humano e também sinto! E Fernando Pessoa me fez pensar tanto nisso nas ultimas semanas que preciso falar a respeito, dizer que não posso passar a vida toda nessa pertubação, na cobrança cotidiana e desesperada por colocar alguém em minha vida.

Amar requer tempo e isso está sendo perdido, queremos tudo para ontem e queremos tudo perfeito. A modernidade tecnológica deu a nós seres humanos a ideia imbecil de que podemos criar tudo de acordo com nossas necessidades, inclusive o amor. E assim que vemos o amor hoje em dia, não mais como um acontecimento, mas como uma solução, um objeto indispensável para curar nossas dores, nossos vícios e todas as nossas lacunas sociais e pessoais. 
Amar hoje em dia é como  ir ao banheiro fazer número dois. Precisamos ir de qualquer jeito! Mas penso que antes de sairmos por ai cagando tudo e em qualquer lugar, talvez devemos ver antes o que temos comido no almoço e no jantar.
Tem uma frase que diz "entender para atender", então talvez devêssemos " nos conhecer para nos amar" e só assim quem sabe AMAR também outras pessoas.

O amor requer compreensão e não desespero.






2 comentários:

  1. É muito plausível sua argumentação com relação ao amor...concordo com você, nesses últimos meses parei pra pensar ...vivi por tanta gente, amei em silêncio sem que soubessem meu verdadeiro sentimento...e isso só me trouxe frustrações e chateação.
    Penso que quer ser o "TUDO" na vida de alguém acaba se tornando "NADA" se não estiver "ME AMANDO" primeiramente...Amo alguém??? pode ter certeza que sim mas este alguém nunca soube ou se pelo menos desconfia se faz de desentendido só espero que quando acordar não seja tarde demais!

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  2. O fato é que dia após dia o brasileiro vem banalizando cada vez mais o amor,e fazendo dele um objeto a ser consumido e logo desprezado,trocado,extraviado... Enfim,infelizmente ainda falta maduridade no quesito amor,amor próprio,primeiramente.

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